Projeto “Lugares de Memória”

Alunos do 9º ano visitam memorial e estudam sobre a ditadura no centro de SP.


Os alunos do 9º ano visitaram, no dia 24 de agosto, o centro de São Paulo, com o propósito de aprofundar seus estudos sobre a repressão e resistência da época da ditadura militar.

Eles foram divididos em cinco grupos e acompanhados por estudantes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (Universidade de São Paulo), que apresentaram aos alunos informações sobre os locais visitados, tais como o DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna), Auditoria Militar, teatro TUCA – na PUC (Pontifícia Universidade Católica) e antiga Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da USP, localizada em frente à Universidade Presbiteriana Mackenzie. Os alunos foram também à Praça da Sé.

A professora de História Kadine Teixeira contou que a ideia de realizar essas visitas surgiu há três anos e que gostaria de trabalhar com duas frentes diferentes. Uma delas é mostrando aos alunos um lugar de memória já institucionalizado e que tem uma narrativa educativa, como o Memorial da Resistência, localizado no bairro Santa Ifigênia. Outra é conhecer lugares que não foram apropriados por nenhuma instituição e que não têm o intuito de contar o que acontecia na época da ditadura.

“Ao estudar sobre a ditadura, eu tive a ideia de mostrar isso de forma mais intensa para os alunos. Queria que eles observassem a cidade com um olhar mais significativo”, afirma Kadine Teixeira.

No início da manhã, os grupos foram divididos, e cada um foi conhecer os lugares determinados. Os alunos responderam perguntas presentes em suas fichas de estudo e entrevistaram pessoas que circulavam no bairro, para saber se elas possuíam algum conhecimento sobre o que tinha acontecido na região na época da ditadura.

Os grupos se encontraram na Sala São Paulo para almoçar e, em seguida, visitaram o Memorial da Resistência, onde presos políticos eram levados para serem torturados. Lá, conheceram os espaços onde as pessoas ficavam presas e escutaram histórias do que acontecia lá dentro, por meio de áudios disponibilizados na última cela que visitaram.

Segundo o aluno do 9º ano B, Henrique Percope, foi interessante conhecer mais sobre a história do próprio país. “O áudio que escutamos é bem chocante porque eles falam que eram tratados como nada e acabavam matando as pessoas de qualquer jeito. Ou ela saía daqui (Memorial da Resistência) só com o corpo, porque a alma já tinha ido, ou ela saía daqui morta”.

No dia 14 de setembro, os alunos entregarão um minidocumentário, com duração de no máximo cinco minutos, com as entrevistas que realizaram, além de contarem suas impressões sobre os espaços que conheceram.