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Alunos do Fundamental II conhecem refugiados de diversas nacionalidades

Oitavos anos conversaram com pessoas que precisaram sair de seus países de origem para recomeçar suas vidas em nosso País.


Os alunos dos oitavos anos receberam pessoas refugiadas de Angola, Camarões, Congo e Irã para, em pequenos grupos, conhecerem as histórias e os motivos que os fizeram sair de seus países de origem.

Cinco convidados foram recebidos para a entrevista: Lara Baptista, José Messa, Suzanne Tcham, Jean Katumba e Abdou ja Rour. Eles participam da ONG África do Coração. Navid Saysan, refugiado do Irã, também conversou com os alunos.

A África do Coração é uma ONG federativa das comunidades de imigrantes e refugiados, que abriga pessoas de diversas nacionalidades. “O sentido da África do Coração não é como continente, mas sim, como berço da humanidade”, explica o diretor e represente da ONG, Jean Katumba. Ele ainda comenta que acontecem vários projetos de divulgação, como a Copa de Integração dos Refugiados: “É um projeto de diversidade. Não é apenas o jogo pelo jogo, mas é uma forma significativa de nos juntarmos aos brasileiros que participam e mostrarmos que também podemos ter oportunidades”, diz Jean.

Diversos são os motivos que levam as pessoas a saírem de seus países e irem buscar abrigo em outros lugares: guerra, perseguição, questões relacionadas a preconceito LGBT, conservadorismo extremo.

O refugiado, Abdou ja Rour, que foi militar na Síria, diz que saiu do país após quase morrer em um bombardeio aéreo e que decidiu vir para São Paulo, por conta das comunidades árabes. Comenta também que o Brasil já possui mais sírios que a própria Síria. “O Brasil tem por volta de nove milhões, enquanto que no próprio país tem apenas quatro milhões”.

A moçambicana Lara Baptista que saiu de seu país pelo conservadorismo e escolheu o Brasil para refugiar-se diz que sofreu um choque de cultura. “Primeiro espanto que tive, ao chegar no país, foi ver as pessoas se beijando no metrô. Isso é algo que tive que me habituar, até hoje não consigo ficar perto”, comenta.

As histórias apresentadas por todos os convidados abordaram diversos temas importantes sobre cada país e fez com que os alunos conhecessem outras realidades, que até então não eram tão próximas. “Nós vimos o lado do outro, a realidade deles e saímos da ‘bolha’ de conhecermos apenas o nosso lado. Ouvir a história da Lara fez com que tirássemos muitos estereótipos que tínhamos e também ampliou nossos conhecimentos sobre o assunto. Foi bem produtivo”, explica a aluna Mariana Pimentel.

O aluno Pedro Loureiro conta o que mais lhe chamou a atenção na palestra. “O fato de ter que fugir para sobreviver e o modo de vida que se leva aqui me chamaram a atenção. É algo fora da nossa realidade. É muito importante conhecer a vida em outros países e perceber que, em muitos lugares, é mais complicado que aqui. Precisamos sair da ideia de que tudo está acontecendo muito longe, quando na verdade, tudo está muito perto. Existem muitos refugiados no Brasil”, diz.

Pedro também aborda sobre o preconceito existente no Brasil. “Acho que em todo lugar existe preconceito. Ficamos muito assustados com aquilo que não conhecemos, com aquele outro desconhecido que chega ou até mesmo com novas culturas. Nos sentimos assustados e até com raiva por achar que estão invadindo nosso país e isso é uma grande mentira e um pensamento retrógrado sobre os refugiados”.

As conversas enriqueceram as reflexões propostas na questão que sustenta o Projeto Integrador da série: ‘Como conhecer o outro transforma o modo de me relacionar com o mundo? ’

Os alunos compartilharão as histórias que ouviram entre os grupos e irão ao cinema para assistirem ao filme brasileiro, “Era o Hotel Cambridge”, dirigido por Eliane Caffé, que aborda o tema dos refugiados em São Paulo.